“O bebê nasce com, sem ou a despeito de mim”

Por Fábio Guedes

 

Foto 1 - Parteira Ivanilde - Crédito Arquivo Pessoal1

 

A gestante tomou a transformadora decisão de parir em casa, teve um pré-natal bem planejado e agora está prestes a entrar no tão aguardado trabalho de parto. É hora de comunicar a parteira da necessidade de sua presença para dar andamento ao processo que culminará no nascimento do bebê.

 

Devidamente equipada com sonar dopler para ausculta intermitente dos batimentos cardíacos do feto, gel, luvas de procedimento e estéreis, estetoscópio, aparelho de pressão arterial, ventilador com pressão positiva, cilindro de oxigênio e uma série de outros instrumentos, a enfermeira obstetra se dirige até a residência do casal visando acompanhar o processo, orientar e agir caso haja alguma necessidade.

 

“Eu sempre digo que o bebê nasce com, sem ou a despeito de mim. Ou seja, intervenho o mínimo possível, apenas se for preciso fazer alguma manobra específica”, afirma a enfermeira obstetra e parteira domiciliar Ivanilde Rocha.

 

Neste momento, a atuação da doula ou da enfermeira obstetra assistente também costuma ser importante, ao cuidar do conforto físico e emocional da parturiente. Ivanilde recomenda ainda que se evite convidar muitas pessoas para participar da ocasião, pois isso pode dispersar a atenção da mulher e, assim, trazer eventuais desconfortos e interferências.

 

“Exceto se as pessoas envolvidas também se prepararam para este momento juntamente com o casal. Precisa haver muita sintonia, respeito, confiança na capacidade da mulher e na equipe”, pondera a parteira.

 

Durante as consultas do pré-natal, o casal toma conhecimento das diversas formas e posições para o momento do parto, bem como dos recursos que podem ser utilizados: piscina, chuveiro, bola, banqueta, massagens e outros instrumentos capazes de auxiliar a gestante.

 

“Porém , nada se define, pois trata-se de um momento único e difícil de precisar a forma e o local. Às vezes, acertam-se alguns detalhes, mas na hora do parto ela encontra o seu ninho. Acontece de se arrumar tudo no quarto e ela preferir parir na sala” explica Ivanilde.

 

Segundo ela, dificilmente as mulheres optam por parir deitadas, diferentemente do que ocorre na grande maioria dos partos hospitalares. O motivo é simples: quanto mais na vertical o corpo estiver, mais fácil se torna a expulsão do bebê, conforme reza a Lei da Gravidade.

 

“A mulher da cidade não consegue ficar de cócoras, porque não tem esse hábito. Por isso, temos banqueta de parto para dar um apoio. Já dei assistência a mulheres que pariram em pé. Se ‘achou’ naquela posição, abraçou o marido e eu aparei o bebê”, conta.

 

Água, frutas e alimentos de livre escolha da mulher podem ser ingeridos normalmente durante o trabalho de parto. Para aliviar as dores das contrações, são usados métodos não farmacológicos como massagem manual ou com instrumentos próprios, água quente, bola e algumas posições alternativas.

 

Tudo isso para tornar este momento, que pode chegar a durar em média de 6 a 12 horas – ou muito mais em alguns casos -, o mais natural possível. Assim que o bebê anuncia sua chegada ao mundo, a atuação da parteira ganha outro significado. Caberá a ela dar o auxílio necessário no pós-parto, assunto que será abordado em nossa próxima reportagem para o site da Parteira Ivanilde Rocha.