Parto de duquesa é possível no Brasil, diz Ivanilde

Por Fábio Guedes

 

Parto de duquesa é possível no Brasil, diz Ivanilde

O espanto provocado entre as mães brasileiras pela rápida recuperação da duquesa de Cambridge Kate Middleton, que apenas dez horas depois de parir a filha Charlotte já recebia alta do hospital e posava deslumbrante ao lado do príncipe William, dá mais uma amostra do atraso do sistema de atenção à gestante e puérpera no Brasil. Com algumas iniciativas pontuais, porém, o país pode obter avanços significativos para permitir às suas mulheres algumas das “mordomias” da duquesa.

 

A opinião é da enfermeira obstetra e parteira domiciliar, Ivanilde Rocha, ao destacar que a simples escolha pelo parto normal, por si só, já favorece o pleno restabelecimento da mulher tão logo dá à luz, o que não costuma ocorrer na cesárea – modelo maciçamente adotado nos hospitais brasileiros.

 

“Este bebê com certeza foi levado ao colo materno ao nascer e iniciado a amamentação. Consequentemente houve uma maior produção de ocitocina, ajudando o útero materno a contrair-se, o que auxilia na rápida recuperação da mulher” diz Ivanilde.

 

“Em alguns hospitais,  quando levo o bebê diretamente ao peito da mãe, em vez de encaminhá-lo para exames pediátricos, ainda há profissionais que estranham e condenam esse tipo de atitude, que é absolutamente normal em países onde o parto natural é o mais comum”.

 

Outra questão importante que veio à tona após o acontecimento noticiado mundialmente, segundo ela, foi o papel de destaque desempenhado pelas enfermeiras obstetras inglesas, responsáveis não só por acompanhar o parto hospitalar, mas também realizar o pós-parto no domicílio da mulher. Além do apoio emocional, essa iniciativa é fundamental para prover orientações especialmente relacionadas à amamentação.

 

“Não é algo difícil de se implantar no Brasil e traria resultados significativos, sobretudo se realizado em conjunto com um pré-natal bem planejado e, quem sabe, sob a égide da Estratégia de Saúde da Família, que já faz parte do SUS”, completa a parteira, que atua também como docente da graduação em enfermagem e pós graduação em enfermagem obstétrica no UNASP.