O parto domiciliar

A escolha pelo parto domiciliar planejado é um dos caminhos que possibilita uma experiência tranquila e personalizada, o que, na maioria das vezes, não é possível em um ambiente hospitalar.

 

partodomiciliar

 

No parto em casa, a mulher é tida como a grande protagonista de todo o processo. Além de contar com um auxílio pré e pós-parto completo e detalhado, ela adota posições de livre escolha durante o trabalho de parto e no momento do procedimento. Conta com o conforto do lar, a participação ativa do companheiro e familiares, e ainda pode desfrutar da indescritível sensação de aconchegar o filho no peito tão logo ele anuncie sua chegada ao mundo.

 

Em cada uma dessas etapas, a parteira está presente (agindo quando necessário), deixando que o bebê escolha o momento certo de nascer. Não se adotam intervenções desnecessárias ou uso de fármacos para retardar ou acelerar o nascimento. São utilizados  métodos não farmacológicos de alívio da dor, como banho de chuveiro ou banheira (hidroterapia), bola suíça e massagem, que pode ser feita pelo marido, acompanhante ou profissionais da equipe da parteira.

 

A violência obstétrica e o ambiente frio dos hospitais passam longe do parto domiciliar. É comum, por exemplo, que mães traumatizadas por cesáreas anteriores deem à luz em casa felizes e satisfeitas, acompanhadas dos filhos nascidos no modelo hospitalar. Os relatos de parto não deixam dúvidas sobre como essa experiência transforma para sempre a vida destas mulheres.

 

Parto em casa é seguro?

 

O parto domiciliar é absolutamente seguro, desde que realizado por profissionais especializados, como médicos, enfermeiras obstetras e obstetrizes. A prática é recomendada pelos Conselhos Regionais de Enfermagem, a Federação Internacional de Ginecologistas e Obstetras (FIGO) e pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

 

Sobram estudos mundo afora para atestar a segurança deste tipo de procedimento. Um dos mais representativos, publicado em 2009 no British Journal of Obstetrics and Gynecology, analisou 529.688 partos domiciliares ou hospitalares planejados na Holanda e concluiu que somente 0,69% dos realizados em casa redundaram em morte intraparto, contra 1,37% dos hospitalares.

 

Outro levantamento baseado no sistema holandês, divulgado em 2011 pelo The American College of Obstetricians and Gynecologists, apontou uma taxa de mortalidade perinatal de 0,15% em partos domiciliares planejados, e de 0,18% em partos hospitalares. Para se chegar a esse índice, foram analisados mais de 680 mil partos.

 

O segredo do sucesso é prover um auxílio pré-natal detalhado, em que os pais possam tirar todas as suas dúvidas e, assim, obter a confiança necessária no profissional que o assistirá. Alimentação e atividades físicas regradas são igualmente fundamentais neste processo, já que para se realizar o parto em casa a mãe precisa estar em plenas condições de saúde físicas, psicológicas e emocionais.

 

Faz-se necessário saber que, se essas condições não estão em sintonia, o parto em domicílio pode ser cancelado. Nesse caso, a gestante é acompanhada ao hospital, geralmente junto da parteira. Por essa razão, faz-se necessário que a mãe e os acompanhantes considerem o hospital como Plano B desde o início para evitar surpresas desagradáveis.

 

No entanto, a experiência da parteira Ivanilde mostra que dificilmente isso acontece, pois a mãe que opta pelo parto domiciliar já está decidida, bem informada e, portanto, consciente dos cuidados que deve ter para tudo ocorrer bem.

 

A quem esteja em dúvida sobre escolher ou não o parto domiciliar planejado, a parteira recomenda assistir ao documentário “O Renascimento do Parto” , no qual especialistas de diversas áreas explicam como o parto domiciliar tem a capacidade de devolver à mulher o protagonismo deste momento tão especial – e que, por isso, merece ser mais valorizado e respeitado por todos os profissionais envolvidos neste processo.