Relato de parto da mãe Elana Poloni – Nascimento da Marjorie – Parto pélvico – 01/02/2015

Lua cheia lá fora, mar agitado dentro de mim: este é um resumo do que foi o meu trabalho de parto. Depois de dois dias e meio de uma dorzinha manhosa de cólica e na lombar, e da maravilha de chegar assim até os sete centímetros de dilatação, estourou a bolsa e, com ela, vieram fortes as contrações, como ondas de um mar bravio que iam e voltavam, e me arrebatavam praquele lugar tão distante chamado partolândia, onde toda a percepção de tempo e espaço é completamente alterada pela expectativa da nova vida que vai chegar.

 

 

E desta dor que acabei de mencionar já paro aqui mesmo de falar. É que não foi ela que deu o tom do meu parto. Doeu, é claro, mas tudo foi suavizado pelo tratamento maravilhoso que recebi, e pelo poder que eu tive, durante todo o processo, de ser completamente dona do meu corpo, da minha casa, dos meus sentimentos e desejos, num momento em que isto me era tão essencial para que eu permanecesse equilibrada.

 

 

Foi nessa atmosfera acolhedora que em 1º de fevereiro, às 5h20 da manhã, veio à luz minha pérola Marjorie. No meu quarto, sentada na banqueta de parto, apoiada o tempo todo pelo meu marido, sem sorinho, sem corte, sem anestesia, recebi a minha bebê no tempo dela, sem nenhuma intervenção desnecessária e com todas as minhas decisões respeitadas. Ao contrário de tudo que diz o senso comum ser necessário, ela nasceu não somente com saúde, mas também com respeito. Veio direto para o meu colo, teve o cordão cortado tardiamente, mamou na primeira hora de vida.

 

 

Quanto ao fato de ela estar sentada, motivo inquestionável de cesárea para a avassaladora maioria dos obstetras, foi um mero detalhe para a parteira. E por confiar em sua grande habilidade e saber que era possível, eu pari uma bebê que, por algum motivo, decidiu vir ao mundo de bundinha, e vou carregar para sempre comigo o orgulho que senti de mim, eu, uma diva parideira.

 

 

Gratidão eterna:

 

  • À Ivanilde Rocha, enfermeira obstetra, parteira tão querida pela nossa família, que foi sábia, hábil e temente a Deus do início ao fim;
  • À Therully Heriberto Silva, também enfermeira obstetra, cuja assistência durante o processo foi tão pontual, certeira e carinhosa;
  • À Juliana Chiarella Renck, doula, que com suas mãos e palavras tanto me apoiou e tranquilizou nos momentos de dor, fazendo toda a diferença;
  • À Cristiane Artuzo, que com seu excelente timing registrou tão docemente esse momento;
  • Ao amado de toda minha vida, Fabrício Polloni; companheiro e pai melhor não há, e sobre ele as palavras me faltam;
  • À minha avó Nenzinha, que pariu seus dezessete bebês em casa naturalmente, cujos partos e cuidados com tantos filhos como se fossem únicos sempre me inspiraram;
  • Aos amigos queridos que em suas casas estiveram em oração por nós;
  • E sobretudo, ao meu Deus criador e redentor, que me capacitou para conceber, gerar, parir e amamentar, a quem devo toda honra, glória e louvor pelo presente que me deu.

 

 

A você, amigo que me lê, faço um convite: vem visitar, vem conversar com a gente, mas vem sem preconceito, sem julgamento, que eu te conto em detalhes a experiência e o porquê parir, ao contrário do que dizem, não deve ser a “dor da morte”, mas sim, algo absolutamente maravilhoso, como foi pra mim.

 

 

De tudo, fica congelada eternamente em mim a memória do corpo quente de minha pequena junto ao meu, no nosso primeiro contato pele a pele, do cheiro incomparável de vérnix, do primeiro olhar trocado, único, de reconhecimento. Quente o contato, o meu amor a fervilhar no peito, o meu choro e riso misturados, banhados de gratidão, quente, muito quente, a única palavra capaz de sintetizar todo o sonho e maravilha deste instante: plenitude.

 

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