Relato de parto da mãe Claudia Rodrigues – Nascimento da Sofia – 18/01/2015

Esse parto começou há quase 5 anos atrás, quando tive meu primeiro filho numa desnecesárea e fiquei com uma sensação de vazio muito grande. Eu queria parto normal, mas não sabia de nada. Fiz o pré natal todo acreditando que seria normal, paguei a taxa de acompanhamento e fiquei tranquilo aguardando.

 

 

No entanto, na semana anterior a minha dpp, o médico sofreu um acidente que o deixaria 15 dias sem poder trabalhar. Só soube quando cheguei no consultório. Encaminharam-me para o sócio dele e de cara ele já queria marcar a cesariana, mas eu não aceitei. Minha dpp era 13/05/10. Ele me deu mais 3 dias para entrar em trabalho de parto, senão pediria a internação pra cesárea. Alegando que já havia passado da hora pelo ultrassom, me coagiu dizendo que agora estava bem, mas que depois…

 

 

Então, no dia 16/05/10 o Eduardo foi extraído do meu ventre, mostrado de longe e levado de mim por mais de 3 horas.

 

 

Enfim, pacote frustração completo… Daí coloquei no meu coração que da próxima vez seria tudo diferente, e foi…

 

 

Fiz o pré natal com um médico cesarista de carteirinha, que de cara me falou os hospitais onde operava. Só mantive com ele porque era perto e conseguia atestado quando precisava.

 

 

Antes de engravida eu já estava por dentro de muitas coisas, inclusive que casa de parto não era uma opção pra mim, devido a cesárea anterior. Como minha dpp era 04 de janeiro, não consegui fechar com nenhum médico, nem com a parteira que gostaria.

 

 

Mas no fundo eu não queria hospitalar, queria domiciliar.

 

 

O problema é que não tinha dinheiro pro plano b.

 

 

Nesse caso, melhor seria que o plano a fosse o b também, ou seja, no hospital. Mas daí eu não conseguiria poupar a Sofia das manobras de rotina do hospital. Não dava pra bancar neonatologista. Até que me indicaram uma enfermeira obstetra num dos grupos que participo. Marquei com ela e foi amor a primeira vista.

 

 

‘Minha dpp já havia passado, as luas também e nada da Sofia nascer. Eu na expectativa que entraria em tp direto, sem pódromos mesmo, devido não estar sentindo nada. Por fim, completaria 42 semanas no domingo e sexta acordei cedo e marquei uma sessão de acupuntura a pedido da parteira.

 

 

Na volta, já comecei a sentir as contrações mais frequentes, mas ainda indolores. No sábado nada. Então resolvi caminhar um pouco antes do almoço. Durante a caminhada, que fiz com meu marido e meu filho de 4 anos, na bicicleta, as contrações iniciara, e desta vez eu sentia bem, até diminuía o ritmo.

 

 

Chegando em casa, enquanto meu marido foi comprar comida, comecei a contar no aplicativo.

 

 

Estava de 5 em 5, mas super suportáveis. Sentei na bola e fiquei acompanhando. Nisso minha irmã mais velha chegou e ficou falando pra eu chamar logo a parteira. Tanto insistiu que acabei avisando.

 

 

O parto

 

 

Estava tão feliz de ver meu corpo funcionando que quando a parteira Ivanilde rocha chegou não acreditou que eu estava em tp. Até brincou, dizendo que ninguém manda zap zap em tp…rs

 

 

Estava com 3 cm e ela fez o descolamento de membranas e daí engrenou de vez.

 

 

Na fase ativa fui direto pra água, e só sai para ir ao banheiro tentar fazer coco, quando na verdade já eram os puxos…rs

 

 

Meu filho, meu marido, a doula, todos jogavam água nas minhas costas, faziam massagem, me ofereciam água, suco… Tão bom!

 

 

As contrações apertaram e eu me perguntava: ninguém vai me dar nada pra aliviar, um chá sei lá…qq coisa?! Meodeusdocéu!

 

 

No expulsivo a parteira me ajudava a levantar da piscina e movimentar as pernas. Daí acocorava e fazia força. Nessa hora ela cantou reconhecimento e foi tão meigo…até o márcio sabia.

 

 

Enfim… A hora estava chegando. Na sala, a luminária estava ligada, e um clima de expectativa no ar. Minha irmã filmava.

 

 

Foi só eu me apoiar na borda da piscina pra começar a sentir a Sofia coroando. Eu já havia tocado os seus cabelinhos…

 

 

Então ela veio. Junto com a cabeça saiu o bracinho, ambos envoltos no cordão umbilical. Na hora, nem senti a laceração, nem depois. O que doeu mesmo foi tomar a anestesia da sutura.

 

 

Me virei num pulo para recebe-la. Foi tanta emoção que chorei. Eu, que sempre dou risada nos momentos emocionantes da vida.

 

 

Mas na sequencia veio o riso. Havíamos conseguido! Ela veio, estava nos meus braços! Meu filho do lado, meu marido do outro, na minha casa, sem intervenções desnecessárias, cercada de amor!

 

 

Logo que saímos da água ela já começou a mamar. E só depois que saiu a placenta, o cordão parou de pulsar e o foi cortado pelo pai. Enquanto eu comia um lanche, a parteira a pegou para medir e pesar. Tudo ali, na minha cama. Eu não poderia desejar um parto melhor do que eu tive. Foi mesmo um presente de deus!

 

 

Agradeço a ele em primeiro lugar e as pessoas que me ajudaram: a parteira Ivanilde a sua assistente Camilla, a doula Michele e a fotógrafa Milena. Também minha irmã Fábia, meu filho dudu e meu marido, é claro, que comprou a ideia comigo

 

Veja as fotos: